quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dia cansativo...


Um fusil com
balas de insulto pede-me
a pontaria certa para a queda.

A ferida entreaberta que desce o corpo ,
atabalhoadamente,
sem cores, talvez rubra ,
talvez não, chama-me.

Doem-me as mortes, até as verdadeiras.
como se fossem falsas,
como se me agonizassem sem que eu peça que mintam.

São mentira, as balas de insulto, de fel insulto,
é mentira a arma com que se dispara a emoção, ou as rajadas de emoção.

A inércia dá à costa, e as lágrimas dispõem-se em areal para a receber.
então eu marco um lanche na minha agenda.
um lanche comigo mesmo, ao qual não chegarei a tempo.
tenho fome, tenho fome de um fusil de verdade.

Nuno Travanca

3 comentários:

GarçaReal disse...

Um texto francamente bom ...

Gostei muito

Um bom feriado

Bjgrande do lago

Véu de Maya disse...

forte o poema e profundo na sua textura...Safira...estou pra lhe agradecer o reconhecimento que faz ao meu Blogue...tenho sido parco em visitas mas vou tentar vistá-la mais vezes..pois a qualidade do eu blogue é evidente...
beijinho,

Véu de Maya

Véu de Maya disse...

errata:

a qualidade do seu blogue é evidente.