sábado, 12 de maio de 2012

A origem da língua portuguesa

Cumpre aos linguistas propor hipóteses explicativas da origem duma língua, tanto nos seus aspectos morfológicos quanto sintácticos, entendendo pelos primeiros o modo como as palavras se pronunciam e se escrevem, analisando os segundos o modo como se entrelaçam na frase, inclusive possibilitando, dessa forma, alguma mudança de significado – pois também aqui o contexto desempenha papel relevante.

O sugestivo e bem eloquente relato bíblico da Torre de Babel (Génesis 11, 1-8) explicita que todas as línguas brotaram dum tronco comum. No que respeita ao Ocidente, dessa base têm partido os linguistas, ao considerarem o indo-europeu essa base donde tudo partiu.

Ao embrenhar-me no tema das divindades indígenas, pré-romanas, na mira de, através da análise etimológica dos teónimos, lhes determinar atributos e funções, à Linguística tive, pois, de recorrer. Um emaranhado de sugestões – adiante-se desde já – porque se lida com vocábulos fruto de longa evolução, cujo som e respectiva representação gráfica algo terão, necessariamente, de aleatório.

Uma convicção perfilho, hoje: o do importante papel da oralidade e da convivência. A transposição escrita do que se ouve está sujeita a inúmeras contingências (recorde-se o caso da senhora que se chama Prantilhana…); e não vale a pena, por isso, digladiarmo-nos por causa dum e ou dum i. A própria pronúncia da mesma palavra assume tonalidades diferentes, inclusive no Português, que é uma das línguas consolidadas há mais tempo no Ocidente europeu. Virá a talhe de foice recordar que, em relação ao Latim, há três possíveis pronúncias para, por exemplo, o nome Cicero: a (dita) restaurada, a ‘portuguesa’ e a romana!...

Derivado, sem dúvida, do Latim, o Português acolheu de boamente contributos do Grego, do Árabe, do Visigótico… e, já nos nossos dias, consignados no Dicionário da Academia, termos próprios de outros países europeus, do Brasil e dos PALOPS (daí, a ideia peregrina do tal acordo ortográfico…).

O lugar e o tempo constituem, consequentemente, coordenadas a ter em conta, mormente se pensarmos que, apesar de termos apenas duas línguas oficiais – o Português e o Mirandês – há ainda o barranquenho, o minderico e – porque não? – o falar algarvio, o falar gandarês...

O Brasil poderá ser também motivo de sugestiva análise, se atentarmos que, logo no aeroporto, quando chegamos, deparamos não com a indicação «tapete» mas o classicíssimo «esteira»; e a nossa ‘fotocópia’ é… xerox! A simbiose perfeita entre o conservadorismo vernáculo e a adopção sem peias do neologismo preciso.

Qual a origem da língua portuguesa, portanto? O Povo que desde há muito séculos a fala, em épocas e em lugares precisos. Uma origem que não devemos, por consequência, considerar estática nem no tempo nem no espaço – porque… está viva! E amadurece todos os dias!
 
por José d'Encarnação

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Boa Páscoa!

Uma harmoniosa e Santa Páscoa!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Passos Coelho o "Piegas".

Tirando uma ou outra greve sectorial, as pessoas parecem conformadas a aceitar as dificuldades, provavelmente na esperança de que ultrapassada este fase, possamos um dia respirar de alívio...e ter um País melhor.Mas este silêncio tem de ser respeitado!

É um povo inteiro a tentar AGUENTAR.O mesmo povo a quem há menos de um ano este senhor até "pedia desculpas"com um ar ligeiramente "piegas".

A verdade é que aquele sorriso generoso e compreensivo vai caindo, desaparecendo (talvez esteja a ficar fora de prazo). Em vez disso cresce um ar mal humorado, ameaçador(custe o que custar) e agora o "sejam menos piegas" como se fôssemos putos mimados...

Alguém devia explicar a este cavalheiro (que vai deixando cair a máscara) que quem semeia ventos...colhe tempestades.

Já nos basta "aquele" que se foi embora e diz que não está arrependido de nada.Para "pouca sorte", já chegava.

Permitam-me que lembre António Aleixo quando dizia:

VÓS QUE LÁ DO VOSSO IMPÉRIO
PROMETEIS UM MUNDO NOVO
CALAI-VOS QUE PODE O POVO
QUERER UM MUNDO NOVO A SÉRIO

...e depois pode ser tarde demais...podemos mesmo ficar menos "complacentes"
Alguém deseja isso? E depois,como se estanca a corrente?

"Jornal de Angola" ataca Acordo Ortográfico e não aceita negócios

A polémica em torno do Acordo Ortográfico continua. Agora é a vez dos angolanos, que ainda não o ratificaram, criticarem duramente as novas regras. O “Jornal de Angola” faz duas críticas, em editorial, ao acordo, na sequência da reunião, em Lisboa, dos ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios. E também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português”, escreve o “Jornal de Angola”, um dos países que não ratificou o Acordo Ortográfico.

O jornal defende que “os que sabem mais têm o dever sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos”, mas “nunca descer ao seu nível”, porque “é batota”.

E a seguir faz um apelo para que as diferenças entre os países sejam respeitadas. “Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a língua portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às leis do mercado”. “Os afectos não são transaccionáveis”, acrescenta.

O Acordo Ortográfico não foi ratificado por Angola e Moçambique e esse foi um dos aspectos invocados por Vasco Graça Moura, director do Centro Cultural de Belém, para defender que as novas regras não devem ser aplicadas em Portugal, o que já está a acontecer nos serviços do Estado. O escritor, assim que chegou ao CCB, decidiu deixar de aplicar o acordo e o assunto chegou mesmo a ser discutido no parlamento com o líder da oposição, António José Seguro, a pedir ao primeiro-ministro para “desautorizar” o novo presidente da instituição. O governo deu razão a Graça Moura e, pelo menos até 2014 não há acordo no CCB.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Acordo Ortográfico e um país de lunáticos.

Vasco Graça Moura, o Acordo Ortográfico e um país de lunáticosPosted on 03/02/2012por 4 0 i
Vasco Graça Moura, novo presidente do Centro Cultural de Belém, mandou retirar todos os conversores ortográficos dos computadores do CCB e determinou que fosse utilizada a antiga ortografia. Se Graça Moura, o poeta e escritor, pode ter uma posição pessoal sobre o assunto, é duvidoso que Graça Moura, o funcionário, possa impor essa visão aos trabalhadores subordinados apostados em cumprir a lei.Este aspecto, assim comentado, ignora no entanto a fundamentação exposta por VGM:“o Acordo Ortográfico não está nem pode estar em vigor”, já que, diz, na ordem jurídica portuguesa, “a vigência de uma convenção internacional depende, antes de mais, da sua entrada em vigor na ordem jurídica internacional”. Refere-se ao facto de Angola e Moçambique ainda não terem ratificado o AO, de que são subscritores, recusando os efeitos do “segundo protocolo modificativo”, assinado em 2004, que prevê que o AO entre em vigor desde que três países o ratifiquem. O ex-eurodeputado do PSD lembra ainda que o próprio AO exige que, antes da sua entrada em vigor, os Estados signatários assegurem a elaboração de “um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa”, algo que, alega, nunca foi feito. E defende que o acordo “viola os artigos da Constituição que protegem a língua portuguesa, não apenas como factor de identidade nacional mas também enquanto valor cultural em si mesmo”.Não sei se, à luz do direito, assim é, mas, segundo o mesmo artigo do jornal Público, esta discussão surge “num momento em que crescem, dentro do próprio PSD, as vozes que se opõem ao acordo”.Ora, aqui é que a porca torce o rabo: num momento em que se escreve a duas velocidades, em que há escolas onde já se ensina segundo o AO, em que crianças aprendem a escrever sob as novas normas, em que jornais, revistas e editoras alteraram a ortografia, é que estes senhores se lembram de levantar as vozes contra algo que o seu partido deixou entrar em vigor no início do ano?Um país de lunáticos irresponsáveis, é o que é.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Vinhas da Ira

Enquanto se arrastam centenas de sem-abrigo pelas ruas de Lisboa, há quem tenha a amabilidade de nos recordar os benefícios do capitalismo. As principais lojas da Avenida da Liberdade são o espelho dos tempos que vivemos. Durante o dia, enchem-se daqueles homens e mulheres que não existem senão nas telenovelas, nas revistas cor-de-rosa e na Quinta da Marinha. Ao cair da noite, o cenário muda. É ali que Lisboa sepulta todos aqueles que não têm casa. Trazem cartões, cobertores e sacos-cama e deixam-se dormir até que a luz do dia traga consigo as tias de Cascais. Ainda assim, não é mau. Pior foi quando houve eleições presidenciais e Cavaco Silva elegeu o edifício ao lado do Hard Rock Cafe para sede de campanha. Então, renovaram o espaço, estenderam uma passadeira vermelha e mandaram a polícia expulsar os indigentes. Isto porque, como todos sabem, os sem-abrigo não têm lugar nos escaparates da democracia.Mais às claras, sucedem-se as intermináveis filas de desempregados à porta dos Centros de Emprego. Começam a aparecer por volta das cinco da manhã e trazem no rosto o desespero e o olhar perdido. Do outro lado da rua, uma empresa de trabalho temporário promove a empregabilidade imediata. Faz lembrar as floristas junto aos cemitérios. Principalmente aquelas que roubam as flores dos defuntos para novamente as venderem como se de reciclagem se tratasse. E o interminável exército de desempregados é isso mesmo. Foram despejados ali pelo capital e no outro passeio os mesmos carrascos sorriem e propõem-lhes a escravatura. Não há nada de novo. Não é muito diferente da novela Vinhas da Ira de John Steinbeck. O aumento do número de pessoas sem trabalho ao longo dos anos tem sido tão grande que já há quem faça da observação uma ferramenta de análise da evolução da crise. Uma mulher contava que há uns dois anos, na Amadora, a fila não ia além da sapataria Charles. Agora, os desempregados chegam à mercearia do transmontano Manuel. Não sabe aonde é que tudo isto pode acabar mas tem a certeza de que se algum dia chegarem às caixas de fruta do senhor Zé estoura a violência. Como no dia em que caiu Tom Joad. Esperemos que, então, o capitalismo deixe de caminhar pelas estradas inexoráveis da farsa em que vivemos e a que chamam democracia. Está nas nossas mãos.

Por, Bruno Carvalho

domingo, 15 de janeiro de 2012

A NOVA GRAFIA

Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou
pirraça, o computador retira automaticamente o C na pretensão de me ensinar a nova grafia.

De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.

Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim.

São muitos anos de convívio.

Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes CCC's e PPP's me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.

Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: - não te esqueças de mim!

Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí.

E agora as palavras já nem parecem as mesmas.

O que é ser proativo?

Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.

Depois há os intrusos, sobretudo o R, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato.

Caíram hifenes e entraram RRR's que andavam errantes.

É uma união de facto, e para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem.

Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os EEE's passaram a ser gémeos, nenhum usa ( ^^^) chapéu.

E os meses perderam importância e dignidade; não havia motivo para terem privilégios. Assim, temos janeiro, fevereiro, março, são tão importantes como peixe, flor, avião.

Não sei se estou a ser suscetível, mas sem P, algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.

As palavras transformam-nos.

Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos.

Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do C não me faça perder a direção, nem me fracione, e nem quero tropeçar em algum objeto.

Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um C a atrapalhar.

Só não percebo porque é que temos que ser NÓS a alterar a escrita, se a LÍNGUA É NOSSA ...? ! ? ! ?


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Os ingleses não o fizeram, os franceses desde 1700 que não mexem na sua língua e porquê nós ?

Será que não pudemos, com a ajuda da troika, recuperar do deficit na nossa língua ?