sábado, 2 de abril de 2011

Cântigo Negro



“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

domingo, 27 de março de 2011

Valeu a pena, vou celebrar!



Na história da profissão docente, hoje é um dia relevante.
É o dia em que acaba de ruir um projecto deontologicamente inaceitável, porque conceptualmente inadequado, politicamente irresponsável e tecnicamente aventureiro e incompetente. Refiro-me ao hoje extinto modelo de avaliação do desempenho dos professores, descendente directo do modelo de Lurdes Rodrigues.
Ao fim de três longos anos de demonstração da inadequação, de denúncia da irresponsabilidade e de comprovação do aventureirismo e da incompetência, chegou o momento em que a disformidade legislativa foi atirada ao lixo.
Não sabemos o futuro. Não sabemos o que aí vem. Mas sabemos o que hoje terminou.
Independentemente das hipocrisias políticas e dos oportunismos eleitoralistas de vários deputados, este dia pôs um ponto final a uma aberração e a uma indignidade.
Foram muitos os professores que lutaram para que isto fosse possível. Valeu a pena pugnar.
Vale a pena celebrar. Eu vou celebrar.

quarta-feira, 23 de março de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher



MESTRES DO CAMINHO: ELAS, BRILHANTEMENTE, MULHERES...

MULHER...

Mulheres, magia e encanto,
raça e ternura,
bravura... sensual..
Estrela da rua,
um cavalo do luar...
Na lida , a batalha;
na vida, um atalho
para os sonhos do porvir...
Lavadeiras, doutoras,
carpiteiras, poetizas,
garis, parideiras,
pensadoras e cantoras,
arizes no palco,
jardineiras do tempo,
andorinhas no mar...

Jorge Bichuetti

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011